Rubio afirma que acordo de paz com o Irão pode ser anunciado este domingo

Rubio afirma que acordo de paz com o Irão pode ser anunciado este domingo

O secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, afirmou que poderá ser feito um anúncio ainda este domingo sobre um acordo com o Irão que poderá terminar oficialmente a guerra no Médio Oriente.

RTP /
Majid Asgaripour - WANA via Reuters

"Penso que é possível que, nas próximas horas, o mundo receba boas notícias", disse Rubio aos jornalistas em Nova Deli.

Rubio, que está na sua primeira visita à Índia, indicou que o acordo em elaboração iria abordar as preocupações dos EUA sobre o Estreito de Ormuz, que está efetivamente bloqueado pelo Irão desde o início da guerra iniciada pelos Estados Unidos e Israel a 28 de fevereiro.

O acordo daria também início a "um processo que pode finalmente levar-nos onde o presidente quer que estejamos, que é um mundo que já não tem de temer ou preocupar-se com uma arma nuclear iraniana", acrescentou.

As declarações surgiram depois de o presidente dos EUA, Donald Trump, ter afirmado que uma proposta incluindo a abertura do Estreito de Ormuz tinha sido "amplamente negociada".

"Um acordo foi amplamente negociado, aguardando a finalização, entre os Estados Unidos da América, a República Islâmica do Irão e vários outros países", escreveu Trump na sua plataforma Truth Social no sábado.

Donald Trump tinha mencionado anteriormente um acordo "amplamente negociado" que incluiria a reabertura do Estreito de Ormuz, que está efetivamente bloqueado pelo Irão desde o início da guerra iniciada pelos Estados Unidos e Israel a 28 de fevereiro.

Segundo os meios de comunicação norte-americanos, este acordo permitiria que os navios voltassem a passar por Ormuz, um estreito vital para a economia global.

Já fontes iranianas familiarizadas com as negociações, citadas pela agência de notícias iraniana Fars, afirmam que o acordo inclui, de facto, o desbloqueio do Estreito de Ormuz, mas que este se manteria sob controlo iraniano.

Segundo a Fars, “o projeto de acordo estipula também que os EUA e os seus aliados não atacarão o Irão ou os seus aliados e, em contrapartida, o Irão compromete-se a não lançar quaisquer ataques preventivos contra os EUA ou os seus aliados”.

Segundo a CBS News, que cita fontes próximas das discussões, a mais recente proposta inclui ainda o desbloqueio de certos ativos iranianos em bancos estrangeiros e a prorrogação das negociações por mais 30 dias. Esta prorrogação foi também noticiada pelo Wall Street Journal.

A Fars avança ainda que as sanções contra o petróleo, o gás e outros produtos petroquímicos também seriam suspensas enquanto as negociações prosseguem, permitindo ao Irão exportar estes produtos, que são cruciais para a sua economia.

Uma fonte iraniana de alto nível afirmou este domingo à Reuters que, “se o Conselho Supremo de Segurança Nacional do Irão aprovar o memorando de entendimento, este será então enviado ao líder supremo Khamenei para aprovação final”.O primeiro-ministro paquistanês, Shehbaz Sharif, mediador nas negociações, alimentou este domingo as especulações sobre uma resolução gradual do conflito, declarando a sua esperança de "realizar a próxima ronda de negociações muito em breve".

Uma primeira ronda de negociações, que se revelou infrutífera, foi realizada em Islamabad, no dia 11 de abril.
Urânio enriquecido em nova ronda de negociações
O acordo em discussão, contudo, não resolve a questão central de como o Irão se desfaria do seu stock de urânio enriquecido, que será tema de uma nova ronda de negociações "nas próximas semanas ou meses", noticiou o New York Times, citando responsáveis norte-americanos.

Segundo Marco Rubio, o acordo poderá levar a um "processo que, em última análise, poderá levar-nos onde o presidente quer que estejamos, ou seja, um mundo que já não tenha de temer ou preocupar-se com uma arma nuclear iraniana".

Segundo a Reuters, Teerão não aceitou entregar o seu stock de urânio altamente enriquecido.

"A questão nuclear será abordada nas negociações para um acordo final e, portanto, não faz parte do acordo atual. Não houve acordo sobre o stock de urânio altamente enriquecido do Irão a ser enviado para fora do país", afirmou fonte de Teerão à agência. “Soluções pacíficas”
Depois de mais de um mês de guerra que fez milhares de mortos e abalou a economia global, está em vigor um cessar-fogo entre o Irão e os Estados Unidos desde 8 de abril.

No Golfo, os diplomatas trabalham para levar as negociações a bom termo e evitar o retomar dos ataques. Durante a ligação com Donald Trump, o Emir do Catar, Sheikh Tamim bin Hamad Al Thani, pediu que “as soluções pacíficas sejam priorizadas”, segundo o seu gabinete.

O Catar, tal como outras monarquias do Golfo aliadas aos Estados Unidos, foi alvo de ataques de retaliação iranianos no seu território durante as primeiras semanas da guerra.
Alívio dos mercados
Um acordo que consolide um frágil cessar-fogo na guerra iniciada pelos EUA e Israel a 28 de fevereiro traria alívio aos mercados, mas não resolveria de imediato a crise energética mundial, que fez subir os custos dos combustíveis, fertilizantes e plásticos.

Mesmo que a guerra terminasse agora, o fluxo total de petróleo através do estreito não regressaria antes do primeiro ou segundo trimestre de 2027, afirmou na semana passada o responsável da ADNOC, a empresa petrolífera estatal dos Emirados Árabes Unidos.


c/agências 
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